Carta deixada no balcão de uma cafeteria.“Diga para a garçonete que eu a amo, sempre amei. Diga que meu único motivo de vir aqui todos fins de tarde, era ela. Melhor, não diga nada, apenas entregue este papel a ela, pois aqui escreverei meus sentimentos. Olhe minha pequena, eu sei que você nunca notou-me, pela simples causa de ter tantos outros clientes a atender, mas eu notei-lhe. Na verdade quem não a notaria? Com esses olhos acastanhados, esses seu cabelos, na altura dos ombros, de cor clara, nem loiro nem castanho. Seu sorriso tímido e sua voz tão doce quanto aquele sonho que me vendia todos os dias. Não tive a oportunidade de perguntar-lhe seu nome, por isso me refiro a ti como pequena, minha pequena. Tu tens um rosto tão angelical. Encantei-me por ti com três simples palavras que me disse: “Boa tarde moço”. Bastou para prender toda minha atenção em ti. Porém, semana passada vim lhe ver na cafeteria, outra garçonete veio me atender. Perguntei de ti e ela não soube responder-me. Fui embora. Não havia razão pela qual continuar ali. No dia seguinte eu voltei e você lá não estava novamente. Conversei com a senhora do caixa e ela me disse que você havia ido viajar. Hoje vejo-lhe de mãos dadas com seu amor. Descobri que estás de casamento marcado e não voltará a trabalhar de garçonete, também partira para outro país. Espero que seja feliz e que este seu amor saiba cuidar de ti como eu gostaria de cuidar. Não sei seu nome, seu número de telefone, mas sei que és a mais bela garçonete que eu já encontrei na minha vida. És também a pequena que adorava o cheiro de café pelo final da tarde. Pelo menos foi isso que disse quando foi se despedir de todos na cafeteria. Sim, eu estava lá escrevendo-lhe esta carta, sentado no mesmo canto de sempre. Seja feliz minha pequena, muito feliz. Moço.” Andriele, fu-gitiva